Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio compara a votação do primeiro e do segundo turno em diferentes estados, cita Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina e afirma que a evolução dos números não teria explicação matemática.
Flávio Bolsonaro publicou, nesta quinta-feira (5), um vídeo gravado nos Estados Unidos no qual questiona o crescimento da votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Na gravação, ele apresenta comparações entre os resultados de diferentes estados brasileiros e desafia especialistas em matemática, estatística e probabilidade a explicar a diferença de votos registrada nas duas etapas da disputa.
O principal argumento apresentado por Flávio é o aumento de mais de 10 milhões de votos recebidos por Lula entre os dois turnos, realizados em um intervalo de aproximadamente 20 dias. Para sustentar seu questionamento, ele afirma que o crescimento da votação petista chama atenção especialmente em estados onde o campo político conservador possui forte presença e onde recebeu apoio de importantes lideranças regionais.
Durante a gravação, Flávio cita Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Também menciona Rio Grande do Sul, Roraima e Acre como exemplos que, em sua avaliação, merecem uma análise dos resultados eleitorais.
Goiás, agronegócio e força conservadora
Entre os exemplos apresentados, Goiás recebe destaque na argumentação de Flávio. Ele chama atenção para o perfil conservador de parcela expressiva do eleitorado goiano, a força do agronegócio e o apoio recebido de Ronaldo Caiado, além do posicionamento de artistas sertanejos durante a campanha.
Flávio questiona o crescimento da votação de Lula no estado, mesmo diante de um cenário político em que importantes lideranças regionais declararam apoio à sua candidatura. Na gravação, afirma que o desempenho petista em Goiás não teria uma explicação compatível com o ambiente político local.
São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina também entram na comparação
Em São Paulo, Flávio questiona o crescimento da votação de Lula mesmo com o apoio do governador e do prefeito da capital à sua candidatura.
No Rio de Janeiro, onde mantém seu domicílio eleitoral, menciona a eleição de representantes do PL e o cenário político estadual para contestar a evolução da votação adversária.
Já em Santa Catarina, destaca a presença do PL no governo estadual e no Senado. Flávio afirma que Lula ampliou sua votação em mais de 30% no estado e compara esse desempenho ao crescimento obtido por sua própria candidatura.
Ao mencionar os catarinenses, também faz referência, em tom irônico, a declarações anteriores de Lula sobre o estado.
Desafio a especialistas
Ao longo do vídeo, Flávio insiste na necessidade de uma explicação matemática e estatística para a diferença entre os resultados dos dois turnos. Ele desafia profissionais especializados em cálculo, probabilidade e estatística a analisar os números apresentados.
Ao concluir sua argumentação, afirma: “Matematicamente, isso não fecha”.
O contexto dos resultados eleitorais
Lula passou de aproximadamente 53,9 milhões de votos no primeiro turno para cerca de 64,2 milhões no segundo. Flávio Bolsonaro, por sua vez, passou de aproximadamente 56,1 milhões para 59,8 milhões de votos.
A comparação entre os dois turnos, entretanto, envolve fatores que precisam ser considerados na análise. No primeiro turno, além dos dois candidatos que avançaram à etapa final, outros nomes disputaram a Presidência. Os votos destinados a essas candidaturas puderam ser redistribuídos entre os finalistas, além das mudanças no comparecimento dos eleitores.
Em Goiás, por exemplo, Ronaldo Caiado participou do primeiro turno e recebeu mais de 472 mil votos no estado. No segundo turno, Flávio Bolsonaro venceu com 59,66% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 40,34%.
O questionamento apresentado por Flávio amplia a discussão política sobre os resultados eleitorais. As comparações feitas no vídeo, contudo, não constituem, por si só, comprovação de fraude ou manipulação da apuração eleitoral.




