Integração da segurança pública e inteligência artificial colocam Aparecida no caminho para se tornar município referência em Goiás

Com 288 câmeras do programa IA Contra o Crime e cerca de 400 equipamentos municipais, gestão Leandro Vilela amplia integração com o Governo de Goiás e defende modelo de segurança como política de Estado
Aparecida de Goiânia está avançando para transformar a integração entre município e Estado em uma das principais estratégias de enfrentamento à criminalidade. Sob a gestão do prefeito Leandro Vilela, a cidade amplia o uso de tecnologia, inteligência artificial e compartilhamento de informações entre as forças de segurança, em um modelo que pode servir de referência para outros municípios goianos.
O avanço mais recente envolve a integração das 288 câmeras do programa IA Contra o Crime, do Governo de Goiás, com aproximadamente 400 câmeras de videomonitoramento já utilizadas pela Prefeitura de Aparecida. A medida amplia a capacidade de monitoramento e permite que diferentes estruturas trabalhem de forma coordenada na prevenção e na resposta às ocorrências.
A tecnologia utilizada pelo programa permite recursos como leitura automática de placas, reconhecimento facial e cruzamento de informações sobre pessoas e veículos suspeitos, aumentando a capacidade das forças de segurança de identificar situações de risco e localizar suspeitos. A meta do Governo de Goiás é ampliar a integração tecnológica para cerca de 22 mil câmeras em todo o Estado.
Para Leandro Vilela, entretanto, a tecnologia é apenas uma parte de uma estratégia maior. O prefeito defende que segurança pública precisa ser tratada como uma política de Estado, com participação conjunta dos municípios e do Governo de Goiás.
A ideia é que os gestores municipais deixem de atuar de maneira isolada e passem a compartilhar estruturas, informações e estratégias com as forças estaduais. Na prática, o modelo coloca Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e demais órgãos de segurança trabalhando de maneira coordenada.
“Essa parceria, integração e trabalho conjunto têm produzido resultados”, afirmou Vilela durante reunião realizada nesta semana com representantes do Governo de Goiás e das forças de segurança. O prefeito destacou que a chegada das câmeras com inteligência artificial e a integração com o sistema municipal devem ampliar ainda mais a capacidade de proteção da população.
Um modelo que começa por Aparecida
O próprio Governo de Goiás vê Aparecida como um dos pontos estratégicos para a expansão da tecnologia. Segundo o presidente da Goiás Tecnologia, João Grego, a segunda fase do programa IA Contra o Crime começou pelo município, justamente com o objetivo de fortalecer a parceria e introduzir novas soluções tecnológicas.
A experiência de Aparecida também se apoia em uma estrutura de integração que vem sendo fortalecida desde 2025. Naquele ano, a Prefeitura retomou o Grupo de Gestão Integrada Municipal (GGIM), reunindo órgãos municipais, forças estaduais e representantes do sistema de Justiça para discutir estratégias conjuntas de segurança.
O modelo já apresenta resultados positivos. Dados divulgados pela Prefeitura com base no Observatório da Secretaria de Segurança Pública de Goiás apontaram redução de 50% nos homicídios em Aparecida entre janeiro e julho de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Foram 24 homicídios registrados naquele período, contra 48 no ano anterior.
Em 2026, a integração continuou sendo ampliada. A Prefeitura afirma ter reforçado a Guarda Civil Municipal, modernizado equipamentos e sistemas de comunicação e mantido operações conjuntas com Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Corpo de Bombeiros.
Tecnologia aliada ao trabalho das forças de segurança
A proposta defendida pela gestão municipal é utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio ao trabalho humano, e não como substituição das forças de segurança.
A integração permite que informações captadas por diferentes sistemas sejam utilizadas de maneira coordenada, aumentando a velocidade de resposta diante de uma ocorrência. Além do combate ao crime, a Prefeitura também prevê utilizar a estrutura tecnológica para outras demandas urbanas, como identificação de descarte irregular de resíduos.
O secretário municipal de Segurança Pública, coronel Éder Fernandes, destacou que a integração das estruturas amplia a capacidade de prevenção e de solução das ocorrências. A avaliação da gestão é que, quanto maior o compartilhamento de informações entre os órgãos, mais eficiente tende a ser a atuação do poder público.
Segurança como política permanente
A proposta de Leandro Vilela vai além da implantação de novas câmeras. O prefeito defende que o combate à criminalidade não pode depender apenas de uma administração ou de uma ação pontual. Para ele, a segurança precisa ser encarada como uma política permanente, construída em parceria entre municípios e Estado.
Nesse cenário, Aparecida passa a funcionar como uma espécie de laboratório para a expansão de soluções tecnológicas e de integração das forças de segurança em Goiás.
A expectativa é que a experiência desenvolvida no município possa ser ampliada para outras cidades, criando uma rede de cooperação capaz de unir tecnologia, inteligência, compartilhamento de informações e presença das forças de segurança.
O conceito também está alinhado ao próprio Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social de Goiás, que estabelece como diretrizes o planejamento, a inteligência, a integração e a articulação entre diferentes órgãos públicos para prevenir e combater a criminalidade.
Com a expansão do videomonitoramento inteligente e a integração entre município e Estado, Aparecida de Goiânia busca consolidar uma nova etapa na segurança pública: menos atuação isolada, mais inteligência, mais tecnologia e, principalmente, mais integração entre as forças.




