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Criticou o empréstimo para a saúde, mas votou a favor: Denis Bento é confrontado pela própria posição na Câmara de Valparaíso

O vereador Denis Bento (Podemos), de Valparaíso de Goiás, voltou ao centro do debate político após criticar o empréstimo de R$ 16 milhões destinado à construção da UPA 3 e, posteriormente, votar favoravelmente à proposta na Câmara Municipal. A mudança de posição levanta questionamentos sobre a coerência de seu discurso em relação a um investimento voltado à saúde pública.

Afinal, Denis Bento é contra ou a favor de um investimento dessa dimensão na saúde de Valparaíso? Criticar um financiamento destinado à construção de uma unidade de pronto atendimento e depois votar a favor da proposta é uma contradição política que merece explicações. O vereador tem todo o direito de fiscalizar a prefeitura e questionar os gastos públicos, mas também precisa esclarecer à população o que mudou entre as críticas e o voto favorável. Quando o assunto é saúde, não basta fazer oposição: é preciso apresentar argumentos consistentes e assumir publicamente as próprias decisões.

O empréstimo de R$ 16 milhões tem como finalidade viabilizar a construção da UPA 3, ampliando a estrutura de atendimento de urgência e emergência do município. A proposta foi aprovada em primeira votação no dia 15 de outubro, com 11 votos favoráveis e nenhum contrário, conforme as informações disponíveis sobre a sessão.

A contratação de operações de crédito por prefeituras é permitida pela legislação brasileira, desde que sejam cumpridas as exigências legais, fiscais e financeiras. Por isso, questionar as condições de um financiamento é legítimo. O que precisa ser esclarecido é por que uma proposta criticada pelo parlamentar acabou recebendo seu voto favorável.

A população de Valparaíso tem motivos para cobrar transparência. Se Denis Bento considerava o empréstimo inadequado, quais eram os argumentos que sustentavam sua posição? E, se passou a considerar a proposta viável, por que não explicar de forma clara as razões dessa mudança? O eleitor não pode ficar apenas com as críticas de um lado e o voto do outro, sem compreender o que fundamentou a decisão.

A oposição tem um papel importante na democracia, mas fazer oposição não significa transformar toda iniciativa do Executivo em motivo de confronto. Fiscalizar é analisar documentos, apontar problemas concretos, cobrar resultados e apresentar alternativas. Quando o debate envolve recursos destinados à saúde, a discussão precisa estar acima de disputas políticas e ser conduzida com responsabilidade.

Derrotado na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, Denis Bento continua exercendo seu mandato de vereador e permanece sujeito à cobrança dos eleitores. O resultado nas urnas não encerra o debate sobre sua atuação, assim como a oposição ao prefeito não o dispensa de explicar suas próprias decisões.

O episódio deixa uma pergunta no centro da discussão política de Valparaíso: se o empréstimo era motivo de críticas, o que levou Denis Bento a votar a favor? A resposta cabe ao vereador. À população, cabe acompanhar, comparar discursos com decisões e cobrar coerência de quem ocupa um cargo público.

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