
De um projeto de modernização liderado por Pedro Ludovico Teixeira à consolidação como uma das principais cidades do Centro-Oeste, Goiânia carrega uma trajetória marcada por decisões políticas, arquitetura, crescimento urbano e pela identidade de seu povo.
Goiânia completa 93 anos neste sábado, 24 de outubro de 2026. Planejada para ser a nova capital de Goiás, a cidade nasceu de um projeto que pretendia modernizar a administração pública, estimular o desenvolvimento econômico e aproximar o estado de outras regiões do país. Mais de nove décadas depois, a capital reúne histórias de pioneirismo, mudanças sociais e expansão urbana que ajudam a explicar a importância de Goiânia para Goiás e para o Brasil.
A história da cidade começou a ganhar novos rumos após a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas chegou ao poder e Pedro Ludovico Teixeira assumiu o governo de Goiás como interventor federal. Naquele período, a antiga capital, a Cidade de Goiás, carregava o peso de uma estrutura administrativa consolidada ainda no ciclo da mineração. A mudança da sede do governo, discutida desde o século XIX, voltou ao centro do debate político.
Pedro Ludovico defendia que a transferência da capital contribuiria para a integração de Goiás com outras regiões brasileiras e incentivaria a ocupação e o desenvolvimento do território estadual. A proposta, entretanto, enfrentou resistência de setores políticos que consideravam a construção de uma nova cidade cara e desnecessária.
A escolha do lugar e o nascimento de Goiânia
Em 1932, uma comissão foi instituída para estudar possíveis locais para a nova capital. Após avaliar condições geográficas, climáticas e hídricas de diferentes regiões, o grupo indicou uma área próxima ao povoado de Campinas, onde hoje está um dos bairros mais tradicionais de Goiânia.
A escolha foi oficializada pelo Decreto Estadual nº 3.359, de 18 de maio de 1933. A região selecionada abrangia áreas das fazendas Criméia, Vaca Brava e Botafogo, nas proximidades do córrego Botafogo.
O dia 24 de outubro de 1933 marcou o início simbólico da construção da nova capital. Naquela data, Pedro Ludovico lançou a pedra fundamental de Goiânia, em um ato que também fazia referência aos três anos da Revolução de 1930.
O projeto urbanístico foi elaborado inicialmente pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, responsável por conceber uma cidade com planejamento viário e espaços destinados às funções administrativas. Posteriormente, Armando de Godoy participou da revisão do plano urbanístico.
A proposta refletia os ideais de modernidade da época, com avenidas largas, áreas verdes e um núcleo administrativo organizado. Goiânia foi planejada inicialmente para abrigar cerca de 50 mil habitantes, número que seria amplamente superado nas décadas seguintes.
Por que a capital quase se chamou Petrônia?
Uma das curiosidades mais conhecidas da história de Goiânia está na escolha de seu nome.
Em 1933, o jornal O Social promoveu um concurso para definir como a nova capital seria chamada. Entre as sugestões estava Petrônia, nome apresentado em homenagem a Pedro Ludovico Teixeira. A proposta venceu a votação popular, enquanto Goiânia recebeu poucos votos.
Apesar do resultado, o nome escolhido pelo fundador foi Goiânia. A denominação foi oficializada por decreto estadual em 2 de agosto de 1935.
A decisão tornou-se parte das histórias que atravessam gerações e revela que até a identidade da nova capital foi objeto de debates durante sua formação.
De cidade planejada à capital de Goiás
A construção de Goiânia não significou uma transferência imediata de toda a estrutura administrativa. Em 1935, começaram medidas para instalar órgãos públicos na nova cidade. A transferência definitiva da capital foi oficializada em 1937, consolidando a mudança que alteraria o centro político de Goiás.
A inauguração oficial de Goiânia ocorreu em 5 de julho de 1942, durante o chamado Batismo Cultural. O evento reuniu autoridades e representantes de diferentes setores e marcou a apresentação da nova capital ao país.
A partir dos anos 1950, o crescimento se intensificou. A chegada da ferrovia, a ampliação das atividades econômicas e a construção de Brasília contribuíram para atrair moradores e investimentos. O aumento populacional também trouxe desafios relacionados à habitação, ao transporte, à infraestrutura e à oferta de serviços públicos.
Art déco e patrimônio histórico
A arquitetura é uma das marcas mais reconhecidas de Goiânia. O estilo art déco, associado à modernidade nas primeiras décadas do século XX, está presente em edifícios históricos do centro da capital, especialmente nas proximidades da Praça Cívica.
O Palácio das Esmeraldas, o Teatro Goiânia e construções que integram o conjunto arquitetônico original ajudam a preservar a memória dos primeiros anos da cidade. Parte desse patrimônio é protegida por instrumentos de preservação histórica, e o conjunto art déco de Goiânia é considerado um dos mais significativos do país.
As avenidas Goiás, Araguaia e Tocantins também integram a concepção urbanística inicial. A Praça Cívica, por sua vez, foi planejada como centro político e administrativo, concentrando edifícios públicos que simbolizavam o projeto de uma nova capital para Goiás.
Parques, cultura e identidade goianiense
Ao longo das décadas, Goiânia construiu uma identidade que combina urbanização, áreas verdes, gastronomia, música, esporte e vida cultural. Parques como o Vaca Brava, o Flamboyant e o Bosque dos Buritis tornaram-se referências de lazer e convivência, enquanto feiras, mercados e espaços culturais ajudam a manter vivas as tradições da cidade.
A música sertaneja ocupa lugar importante nessa identidade, assim como a culinária regional, a hospitalidade e os costumes compartilhados por famílias que chegaram de diferentes partes de Goiás e do Brasil.
A capital também se tornou um importante polo de comércio, educação, saúde, serviços e comunicação. Seu crescimento ampliou a influência de Goiânia sobre municípios vizinhos e fortaleceu a integração com a Região Metropolitana, embora desafios urbanos continuem presentes no cotidiano da população.
93 anos de uma história construída por gerações
Celebrar o aniversário de Goiânia é revisitar muito mais do que a data de fundação de uma cidade planejada. É reconhecer a trajetória de trabalhadores, comerciantes, professores, profissionais da saúde, artistas, estudantes, famílias pioneiras e de tantas outras pessoas que participaram de sua construção.
A capital que nasceu de um projeto político de modernização tornou-se um dos principais centros urbanos do Centro-Oeste. Sua história reúne grandes transformações, conquistas, dificuldades e a contribuição de gerações que ajudaram a dar forma à cidade.
Neste 24 de outubro, Goiânia celebra 93 anos preservando as marcas de seu passado e enfrentando os desafios do presente. Uma cidade cuja história começou com o lançamento de uma pedra fundamental, mas que ganhou significado por meio das pessoas que fizeram e continuam fazendo dela a capital de Goiás.




