Derrotado na disputa por vaga de deputado estadual, Denis Bento critica empréstimo para a saúde enquanto Marcus Vinícius trabalha para ampliar atendimentos e viabilizar a UPA 3 em Valparaíso

Enquanto o prefeito aposta em iniciativas como o OperaVal e planeja novos investimentos na rede municipal, vereador de oposição questiona operação de crédito de R$ 16 milhões. A população espera fiscalização responsável, mas também quer saber quais alternativas são apresentadas para melhorar a saúde.
A saúde pública voltou ao centro do debate político em Valparaíso de Goiás após o vereador Denis Bento, do Podemos, integrante da oposição ao prefeito Marcus Vinícius (MDB), após publicar um vídeo nas redes sociais criticando a proposta de empréstimo de R$ 16 milhões relacionada ao planejamento da construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no município.
Enquanto o parlamentar questiona o financiamento, a gestão municipal apresenta iniciativas para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde. Uma delas é o OperaVal, programa lançado pela Prefeitura para ampliar a oferta de cirurgias eletivas e reduzir o tempo de espera dos pacientes. A iniciativa ganhou força após a regularização do centro cirúrgico do Hospital Municipal de Valparaíso (HMV), permitindo a realização de procedimentos no próprio município. Entre os procedimentos previstos estão cirurgias de varizes, vasectomias e hérnias, além de outras intervenções conforme a estrutura e a programação do serviço.
A ampliação dos atendimentos e a melhoria da estrutura de saúde estão entre os desafios da administração municipal. Nesse cenário, o planejamento de uma nova UPA integra a discussão sobre como oferecer mais capacidade de atendimento à população.
A fiscalização das contas públicas é uma atribuição legítima dos vereadores. No entanto, a atuação parlamentar também envolve apresentar propostas, encaminhar demandas e buscar alternativas para os problemas da cidade. Diante das críticas ao empréstimo, uma pergunta merece resposta: quais medidas Denis Bento defende para ampliar a estrutura de saúde e viabilizar a construção da nova unidade sem recorrer à operação de crédito proposta pelo Executivo?
Empréstimos para municípios são permitidos pela legislação brasileira e fazem parte dos instrumentos de financiamento do poder público. A Lei Complementar nº 101/2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelece regras para a contratação de operações de crédito. Já a Resolução nº 43/2001 do Senado Federal define limites e condições para esse tipo de financiamento por estados e municípios. A contratação, porém, depende do cumprimento das exigências legais, da capacidade de endividamento e das autorizações aplicáveis a cada caso. Portanto, o empréstimo não é irregular simplesmente por ser um empréstimo, mas sua viabilidade precisa ser demonstrada.
O tema também se insere em um cenário de movimentação política após as eleições de 2026. Denis Bento disputou uma vaga de deputado estadual, mas não foi eleito. Diante da proximidade das eleições municipais de 2028, cabe questionar se o posicionamento adotado pelo vereador também poderá contribuir para ampliar sua visibilidade política e alimentar especulações sobre uma eventual candidatura à Prefeitura de Valparaíso. Até o momento, essa possibilidade não deve ser confundida com uma candidatura oficialmente anunciada.
Enquanto isso, Marcus Vinícius precisa demonstrar a viabilidade financeira dos projetos apresentados pela gestão, esclarecer os custos envolvidos e informar quais etapas ainda precisam ser cumpridas para que a UPA 3 saia do planejamento. À oposição cabe fiscalizar, questionar e cobrar transparência, mas também apresentar alternativas consistentes para os desafios enfrentados pelo município.
No fim, a discussão precisa ir além da disputa política. A população tem direito de saber como os recursos serão aplicados, quais serão os custos do financiamento e quais benefícios a nova unidade poderá proporcionar. Se Denis Bento considera o empréstimo inadequado, a apresentação de uma alternativa concreta ajudaria a qualificar o debate.
Em saúde pública, críticas fazem parte da democracia. Mas a população também espera propostas, fiscalização fundamentada e resultados que melhorem o atendimento de quem depende dos serviços municipais.




