
Vice-governador afirma que tentou manter Ana Paula no partido e aponta ruptura que contraria trajetória histórica da família na política goiana
A saída de Ana Paula Rezende do MDB para se filiar ao PL, onde passou a figurar como pré-candidata a vice-governadora ao lado do senador Wilder Morais, provocou forte reação no meio político, especialmente do vice-governador Daniel Vilela.
Daniel classificou a decisão como “impensada” e afirmou que a saída representa uma ruptura difícil de compreender, sobretudo diante da trajetória política construída por Iris Rezende, pai de Ana Paula e um dos principais nomes da história do MDB em Goiás.
Segundo o vice-governador, houve insistência direta para que Ana Paula permanecesse no partido. Ele afirma que defendeu, até o limite, a permanência dela no projeto político da sigla, inclusive com a possibilidade de disputar cargos relevantes, como a Prefeitura de Goiânia, ou integrar uma chapa majoritária como candidata a vice.
De acordo com Daniel Vilela, o rompimento teria sido motivado por divergências específicas, entre elas um desacordo sobre a utilização de recursos públicos para a construção de um memorial em homenagem a Iris Rezende. Ainda assim, ele reforçou que alternativas foram apresentadas, mas não avançaram.
Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão de Ana Paula vai além de uma simples mudança partidária e expõe uma incoerência política. Isso porque Iris Rezende construiu toda a sua carreira dentro do MDB, tornando-se um dos maiores símbolos da legenda no estado e no país.
A migração para o PL, partido com posicionamento político distinto, e a aliança com um novo grupo liderado por Wilder Morais ampliaram o desconforto entre aliados históricos. Para parte da classe política, a escolha representa um afastamento não apenas partidário, mas também simbólico do legado deixado por seu pai.
O episódio evidencia um racha relevante no cenário político goiano e antecipa um ambiente de maior tensão nas articulações para os próximos anos. Mais do que reposicionamento estratégico, a decisão de Ana Paula reacende o debate sobre fidelidade política, coerência e o peso de um sobrenome historicamente ligado a uma das mais tradicionais siglas do país.




