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Goiânia registra aumento de barbeiros e acende alerta para a doença de Chagas

Capital identificou 29 insetos entre janeiro e setembro de 2026, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. Em abril, um exemplar testou positivo para o parasita causador da doença; Secretaria Municipal de Saúde orienta moradores sobre prevenção e cuidados.

A presença do inseto conhecido popularmente como barbeiro acendeu um alerta sanitário em Goiânia. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) apontam que 29 exemplares foram identificados na capital entre janeiro e setembro de 2026, contra 14 no mesmo período de 2025. Ao longo de todo o ano passado, foram encontrados 20 insetos.

A preocupação aumentou após a confirmação, em abril deste ano, do primeiro barbeiro encontrado em Goiânia com infecção natural pelo Trypanosoma cruzi, parasita responsável pela doença de Chagas. A análise foi realizada pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO).

A identificação de um inseto infectado exige atenção das autoridades sanitárias, mas não significa, por si só, que moradores da região tenham contraído a doença. O risco depende de diferentes fatores, incluindo as condições de transmissão e o contato com o parasita.

Doença pode permanecer silenciosa por anos

A doença de Chagas é uma infecção que pode evoluir de forma silenciosa. Na fase inicial, algumas pessoas apresentam febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza, mal-estar e inchaço. Em outros casos, os sintomas passam despercebidos.

Sem diagnóstico e acompanhamento adequados, a infecção pode evoluir para a fase crônica e provocar complicações graves, principalmente no coração e no sistema digestivo. Alterações cardíacas e problemas no funcionamento do aparelho digestivo estão entre as consequências possíveis.

Outro fator que exige atenção é que a doença pode ser diagnosticada muitos anos depois da infecção. Por isso, os registros de pessoas diagnosticadas em Goiânia não comprovam, necessariamente, que a transmissão tenha ocorrido na capital.

Como ocorre a transmissão

O barbeiro pode transmitir o Trypanosoma cruzi, mas nem todo inseto dessa espécie está infectado. A transmissão vetorial ocorre principalmente quando as fezes de um barbeiro infectado entram em contato com a pele lesionada ou com mucosas, como as dos olhos e da boca.

A doença também pode ser transmitida por alimentos contaminados, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto e, em situações específicas, por transfusão de sangue ou transplante de órgãos.

A aproximação dos insetos das residências pode estar relacionada a alterações ambientais, desmatamento e mudanças nas condições de abrigo e alimentação. Por isso, a vigilância sanitária e os cuidados no ambiente doméstico são importantes para reduzir os riscos.

O que fazer ao encontrar um barbeiro

A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é não esmagar nem matar o inseto suspeito. O procedimento recomendado é proteger as mãos com um saco plástico ou outro material que impeça o contato direto, recolher o exemplar cuidadosamente e colocá-lo em um recipiente fechado com tampa.

Em seguida, o morador deve acionar a Diretoria de Vigilância em Zoonoses de Goiânia pelo telefone (62) 99152-2545. A equipe pode realizar a identificação do inseto, avaliar a ocorrência e encaminhar o material para análise laboratorial, conforme os procedimentos técnicos.

Em caso de suspeita de picada ou contato com o inseto, a orientação é procurar atendimento de saúde e entrar em contato com a Vigilância Epidemiológica pelo telefone (62) 3030-2534.

Medidas preventivas dentro de casa

Para diminuir a possibilidade de abrigo e entrada dos barbeiros, a população deve manter quintais limpos, evitar o acúmulo de entulho, madeira, telhas e folhas e reduzir esconderijos próximos às residências. Também é recomendado manter galinheiros e outros locais de criação de animais afastados da casa, instalar telas quando necessário e vedar frestas em portas e janelas.

O uso de inseticidas deve seguir orientação técnica dos serviços de vigilância, evitando aplicações indiscriminadas.

Diagnóstico e tratamento pelo SUS

A doença de Chagas tem diagnóstico e tratamento disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). A investigação médica é importante para identificar a infecção e definir a conduta adequada para cada paciente.

O tratamento depende da fase da doença e das condições clínicas da pessoa. O diagnóstico precoce é especialmente importante porque permite avaliar a necessidade de tratamento específico e o acompanhamento para prevenir ou identificar complicações.

Diante do aumento de barbeiros identificados em Goiânia, a recomendação das autoridades sanitárias é que a população mantenha os cuidados preventivos e comunique a Vigilância em Zoonoses ao encontrar um inseto suspeito, sem tentar identificá-lo ou manipulá-lo diretamente.

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