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“Hoje chegou o nosso fim”, escreveu secretário antes de matar o filho e tirar a própria vida

A carta publicada pelo secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, minutos antes da tragédia que resultou na morte de um dos filhos e no próprio suicídio, está sendo analisada pela Polícia Civil como possível indício de premeditação.

No texto divulgado em seu perfil no Instagram, ele inicia afirmando que era “difícil começar a escrever”, mas que “tudo tem um fim” e que naquele dia teria chegado “o nosso”. A declaração, feita horas antes dos disparos, passou a ser vista como uma despedida pública.

Ao longo da mensagem, Thales menciona os 15 anos de relacionamento e afirma que sempre buscou manter “harmonia e respeito” dentro da família. Em seguida, relata que a esposa teria viajado de Itumbiara para São Paulo para “encontrar uma pessoa”, dizendo que ela estava diferente nos dias anteriores e que isso teria despertado desconfiança.

Ele escreve que, na semana anterior, teria pedido que, caso o casamento não estivesse bem, que houvesse diálogo antes de qualquer decisão. Afirma que não foi ouvido e que aquele seria “um dia triste”.

O trecho mais impactante da carta surge quando declara: “Partimos eu e meus meninos que agora são anjos que infelizmente vieram comigo”. A frase indica que os filhos já estavam incluídos em sua decisão no momento da publicação.

Em outro ponto, diz que nunca havia pensado em algo assim antes, mas que não conseguiria viver com “essas lembranças”. A narrativa apresenta o ato como consequência de sofrimento pessoal, atribuindo a ruptura conjugal como fator desencadeador.

Na parte final da carta, ele agradece aos pais, aos amigos e aos irmãos, pede desculpas pelo que fez e admite que “não tem perdão”. Também menciona Johnny, então prefeito de Itumbiara e seu sogro, dizendo ter “eterno respeito e admiração” e pedindo desculpas diretamente a ele.

Para investigadores, o conteúdo reforça a hipótese de que o crime não foi impulsivo. A carta demonstra organização de pensamento, despedidas direcionadas e inclusão explícita dos filhos na decisão.

Especialistas destacam que textos dessa natureza costumam revelar tentativa de justificar atos extremos, deslocando a responsabilidade para conflitos afetivos. Ressaltam, porém, que nenhuma crise conjugal pode servir de justificativa para violência, especialmente contra crianças.

O caso continua sob investigação da Polícia Civil de Goiás.

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